Ordem de desfile do Grupo A para o Carnaval 2010:
1 - Unidos de Padre Miguel
2 - Império Serrano
3 - Império da Tijuca
4 - Tuiuti
5 - Inocentes de Belford Roxo
6 - Renascer de Jacarepaguá
7 - Caprichosos
8 - São Clemente
9 - Santa Cruz
10 - Rocinha
11 - Estácio de Sá
12 - Cubango
Blog sobre o G.R.E.S. Império Serrano, tradição e resistência do verdadeiro Carnaval Carioca.
sábado, 26 de setembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
"Serrinha" na voz de Clara Nunes.

Clara Nunes nasceu em Paraopeba, MG, em 12 de agosto de 1943. O pai, Mané Serrador, era violeiro e cantador de folias-de-reis. Órfã desde pequena, aos 16 anos foi para Belo Horizonte, onde conseguiu empregar-se como operária numa fábrica de tecidos. Por essa época cantava no coral de uma igreja, ao mesmo tempo em que, ajudada pelos irmãos, concluía o curso normal. Em 1960 foi a vencedora da final do concurso A Voz de Ouro ABC, em sua fase mineira, com Serenata do Adeus (Vinícius de Moraes), e obteve o terceiro lugar, na finalíssima realizada em São Paulo, com Só Adeus (Jair Amorim e Evaldo Gouveia). Contratada pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, durante um ano e meio teve um programa exclusivo na TV Itacolomi. Nessa mesma época, cantava em boates e clubes, tendo sido escolhida, por três vezes, a melhor cantora do ano.

Em 1965 foi para o Rio de Janeiro e passou a apresentar-se na TV Continental, no programa de José Messias. Ainda nesse ano, após teste, foi contratada pela Odeon, que, em 1966, lançou seu primeiro LP, A voz adorável de Clara Nunes, em que interpreta boleros e sambas-canções. Em 1968, gravou Você passa e eu acho graça (Ataulfo Alves e Carlos Imperial), que foi seu primeiro sucesso e marcou sua definição pelo samba. Em 1972, além de ter realizado seu primeiro show, Sabiá, sabiô (com texto de Hermínio Bello de Carvalho), no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, lançou o LP Clara, Clarice, Clara, com musicas de compositores de escolas de samba e outras de Caetano Veloso e Dorival Caymmi. Ainda nesse ano, gravou o samba Tristeza pé no chão (Armando Fernandes), apresentado no Festival de Juiz de Fora, que vendeu mais de 100 mil copias. Em fevereiro 1973, estreou no Teatro Castro Alves, em Salvador, com o show O poeta, a moça e o violão, ao lado de Vinícius de Moraes e Toquinho. Em 1973 gravou na Europa o LP Brasília e, no Brasil, o LP Alvorecer, que chegou ao primeiro lugar de todas as paradas brasileiras com Conto de areia (Romildo e Toninho). Em 1974, ao lado de Paulo Gracindo, atuou no Canecão, no Rio de Janeiro, na segunda montagem do espetáculo Brasileiro, profissão esperança, de Paulo Pontes (do qual foi lançado um LP), que contava as vidas de Dolores Duran e de Antônio Maria. Em 1975, ano do seu casamento com o compositor Paulo César Pinheiro lançou Claridade, seu disco de maior sucesso. Outro grande sucesso veio em 1976, com o disco Canto das três raças. Em 1977 lançou As forças da natureza, disco mais dedicado ao samba e ao partido-alto. Em 1978 lançou o disco Guerreira, interpretando outros ritmos brasileiros. Em 1979 lançou o disco Esperança. No ano seguinte veio Brasil mestiço, que incluiu o sucesso Morena de Angola, composto por Chico Buarque para ela. Em 1981 lançou Clara, com destaque para Portela na avenida. No auge como intérprete, lançou em 1982 Nação, que seria seu último disco. Apesar de ser "portelense de carteirinha", tinha uma grande admiração pelo Império Serrano e sua história, tanto que fez uma das mais belas homenagens já recebidas pela nossa escola, a música "Serrinha".

Morreu em 02 de Abril 1983, depois de 28 dias de agonia, hospitalizada após um choque anafilático ocorrido durante uma cirurgia de varizes. Em dezembro de 1997, a gravadora EMI reeditou a obra completa da artista, em 16 CDs remasterizados no estúdio de Abbey Road, em Londres, e embalados em capas que reproduzem as originais.
Leiam abaixo a letra de Serrinha (Clara Nunes):
Serrinha
É o império do samba chegando
É o povo te homenageando
Te escolhendo como a preferida
Serrinha
Que no meio de tanta riqueza
É uma dama da alta nobreza
No cortejo real da avenida
Mas que sedução!
Que triunfal!
Teu pavilhão Imperial
Tens tradição
És imortal
Sobre as cores verde e branco
Repousa a coroa do império sobre o carnaval
Mesmo quando perde
O povo grita é o vencedor
Porque o povo tem um coração
De imperador
Império Serrano é a minha
Escola que dá prazer
É o prazer da Serrinha
E nos orgulhamos de dizer
Imperial, Imperial
Eu sou também,é voz geral
Por isso vem, vem pessoal
E vamos jurar a bandeira imperial
Vídeo - Clara Nunes canta com a Serrinha:
sábado, 12 de setembro de 2009
Comissão de frente do carnaval 2009 - uma estranha história.

A comissão de frente do Império Serrano em 2009 estava impecável, bonita, criativa e totalmente inserida no enredo. Estranhamente os jurados não tiveram a mesma opinião do público e crítica especializada, tirando décimos decisivos para o resultado final da apuração.
G.R.E.S. Império Serrano.
Apuração do Carnaval 2009 - Quesito Comissão de frente.
Primeiro jurado= 9.8 - Segundo jurado= 9.9
Terceiro jurado= 9.7 - Quarto jurado= 9.8
Total= 39.2 - Perda de 0,8 pontos, simplesmente a diferença em relação a penúltima escola, Mocidade Independente de Padre Miguel.

Avaliando as apurações dos Carnavais da era LIESA, seus julgadores adoram dar notas maiores para quase todas as agremiações nos quesitos técnicos como bateria e samba-enredo, e desequilibram a apuração sendo bem mais rigorosos em quesitos que dependem um pouco mais de "grana", como alegorias e adereços e fantasia. O quesito comissão de frente parece seguir um roteiro baseado no ranking da LIESA, separando as agremiações em grupos distintos, com notas distintas, muito curioso.
Vejam o vídeo dos preparativos da comissão de frente do Império Serrano na concentração da Marques de Sapucaí para o desfile de 2009. Tirar 0,8 pontos, que falta de sensibilidade carnavalesca:
Presto aqui nossa homenagem a toda Comissão de frente imperiana, nota dez em nossos corações e mentes!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Recordar é viver - Bateria Imperiana em 1968.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Preciosidade - Entrevista com Sebastião Molequinho.
Saudações imperianas! Garimpando pela internet descobri uma entrevista feita pela TV Globo com Sebastião Molequinho, fundador da G.R.E.S. Império Serrano. Certamente é um vídeo de grande importância histórica.
Melhor do que falar é curtir esta preciosidade:
Melhor do que falar é curtir esta preciosidade:
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Velha Guarda do Império Serrano.

A Velha Guarda é sempre um dos maiores patrimônios das Escolas de Samba.
E falando de Império Serrano, sua Velha Guarda tornou-se patrimônio do próprio Carnaval do Brasil.
Bandeira da Velha Guarda da G.R.E.S. Império Serrano:

Alguns nomes de destaque da atual Velha Guarda do Império: Toninho Fuleiro, Fabrício, Aloísio Machado, Capoeira da Cuíca, Silvio, Lindomar, Balbina, Nina, Zé Luis, Ivan Milanês, Wilson das Neves, Cizinho, entre outros...
Entre todas as músicas que já ouvi a Velha Guarda cantar, minhas preferidas são "Império tocou reunir" de Silas de Oliveira e Dona Ivone Lara, e "Menino de 47" de Nilton Campolino e Molequinho.
Quem desejar conhecer melhor o belo trabalho da "moçada", minha sugestão é o CD "Império Serrano, um show de Velha Guarda", do selo Biscoito Fino. Veja a capa do CD:
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
O Planeta Terra canta "Império Serrano".
Os Sambas de Enredo imperianos são tão maravilhosos, que são executados em todos os cantos do mundo. Um belo exemplo está no vídeo abaixo, uma performance do Grupo Zabumba, em pleno festival musical na França, no ano de 2007. Detalhe, a maioria dos componentes do grupo não têm a nacionalidade brasileira. O samba escolhido foi "Brasil, berço dos imigrantes", de Jorge Lucas e Roberto Ribeiro, nosso hino no Carnaval de 1977. Detalhe, atualmente, na era LIESA, as composições são tão medíocres, que não sabemos cantar a maioria dos sambas dos últimos três anos. Quando o samba tem a "grife" imperiana é diferente, simplesmente 30 anos depois, franceses cantam "Brasil, berço dos imigrantes" de ponta a ponta, e com um delicioso sotaque gringo no fundo.
"BRASIL, BERÇO DOS IMIGRANTES". (Letra).
É tempo de Carnaval
Hoje as cores do Império
Vem saudar a imigração
Numa dourada alegria
Neste dia de folia
O samba é anfitrião
Desta gente que ao chegar
Semeou nesta terra
Seu folclore popular
Brasil, berço dos imigrantes
Sua raça é mistura
Sem cessar
O povo com seu sorriso
Vem pra avenida festejar
Violas de pássaros
Clarins de vento (bis)
O Arlequim
Entoando um canto lento
Num céu de serpentinas
Um Pierrô vai desfilar
O dominó ganhou confete
E ao imigrante foi saudar
Olha o passo da mulata
Esplendor da Colombina
Canta e samba minha gente
Nesta festa que domina (bis)
Lá, lá, laiá
Lá, laiá, laiá
Lá, laiá, lá, laia (bis)
Curtam esta bela curiosidade:
"BRASIL, BERÇO DOS IMIGRANTES". (Letra).
É tempo de Carnaval
Hoje as cores do Império
Vem saudar a imigração
Numa dourada alegria
Neste dia de folia
O samba é anfitrião
Desta gente que ao chegar
Semeou nesta terra
Seu folclore popular
Brasil, berço dos imigrantes
Sua raça é mistura
Sem cessar
O povo com seu sorriso
Vem pra avenida festejar
Violas de pássaros
Clarins de vento (bis)
O Arlequim
Entoando um canto lento
Num céu de serpentinas
Um Pierrô vai desfilar
O dominó ganhou confete
E ao imigrante foi saudar
Olha o passo da mulata
Esplendor da Colombina
Canta e samba minha gente
Nesta festa que domina (bis)
Lá, lá, laiá
Lá, laiá, laiá
Lá, laiá, lá, laia (bis)
Curtam esta bela curiosidade:
terça-feira, 4 de agosto de 2009
HEROÍS DA LIBERDADE - O Melhor Samba-Enredo de todos os tempos.

Jornal O Globo - Carnaval de 2003.
O melhor samba-enredo de todos os tempos é...
Reportagem de Bernardo Araujo, Daniela Name e João Pimentel.
Deu Silas de Oliveira na cabeça: o melhor samba-enredo de todos os tempos é “Heróis da liberdade”, dele com Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira, que o Império Serrano levou para a avenida em 1969. O primeiro lugar em um universo de centenas de sambas foi dado ao hino alviverde por 10 das 70 pessoas ouvidas pelo GLOBO, em uma enquete que ainda elegeu “Agudás, os que levaram a África no coração e trouxeram para o coração da África o Brasil!”, da Unidos da Tijuca, o melhor samba de 2003, seguido de perto por “Os dez mandamentos: o samba da paz canta a saga da liberdade”, da Mangueira. Na eleição dos melhores de todos os tempos, o vice-campeonato ficou com “Os sertões”, da Em Cima da Hora, de 1976 (de autoria de Edeor de Paula), e a medalha de bronze com “Aquarela Brasileira”, também do Império Serrano e de Silas de Oliveira. Dos cinco primeiros colocados na enquete, três foram do compositor imperiano — “Cinco bailes tradicionais na História do Rio”, de 1965, que ele fez com Dona Ivone Lara e Bacalhau, foi o quarto colocado, ao lado de “O mundo encantado de Monteiro Lobato”, da Mangueira em 1967.
Nem todos os 70 eleitores ouvidos na enquete conheciam os sambas de 2003 o suficiente para ter um favorito. No entanto, a crença radical de que nada presta nas composições recentes já não é tão forte quanto se poderia supor. É claro que alguns embarcam no bloco do “não ouvi e não gostei”, como o compositor Nei Lopes e o roqueiro Guilherme Isnard. No entanto, veteranos conhecedores do mundo das escolas como Sérgio Cabral, Fernando Pamplona e Haroldo Costa ouviram o disco de 2003 com atenção e têm suas opiniões: — Gosto do samba do Salgueiro, pela originalidade — diz Cabral, nascido em Cavalcante e torcedor (e ex-enredo) da Em Cima da Hora.
A escolha de um único samba-enredo em mais de mil foi ingrata para a maioria das pessoas, que insistia em votar em dois ou três. — Essa escolha é fogo! — reclamou, bem-humorado, o escritor Haroldo Costa, que acaba de lançar “Salgueiro — 50 anos de glória”, sobre sua escola do coração, que vai justamente contar esse meio século de história em seu desfile, hoje à noite. — Há vários sambas antológicos, inesquecíveis. Voto em “Chica da Silva”, do Salgueiro, que, além de bonito, é um samba que marcou época, na minha opinião.
A pesquisadora e escritora Rachel Valença justifica seu voto no “Cinco bailes”, do Império, com o academicismo adequado: — É um samba que obedece rigorosamente à estrutura da epopéia — diz ela. — Intuitivamente, Dona Ivone, Silas de Oliveira e Bacalhau compuseram o mais clássico dos sambas-enredo.
LETRA DA ANTOLOGIA.
Heróis da Liberdade (Silas de Oliveira / Mano Décio da Viola / Manoel Ferreira).
Passava noite, vinha dia
O sangue do negro corria
Dia a dia
De lamento em lamento
De agonia em agonia
Ele pedia o fim da tirania
Lá em Vila Rica
Junto ao largo da Bica
Local da opressão
A fiel maçonaria, com sabedoria
Deu sua decisão
Com flores e alegria
Veio a abolição
A independência
Laureando o seu brasão
Ao longe soldados e tambores
Alunos e professores
Acompanhados de clarim
Cantavam assim
Já raiou a liberdade
A liberdade já raiou
Essa brisa que a juventude afaga
Essa chama
Que o ódio não apaga pelo universo
É a evolução em sua legítima razão
Samba, ó samba
Tem a sua primazia
Em gozar de felicidade
Samba, meu samba
Presta esta homenagem
Aos heróis da liberdade
Ô, ô, ô, ô Liberdade senhor!
Muitos cantores e cantoras, dentre eles Martinho da Vila e João Bosco, gravaram "Heróis da Liberdade". Como tal mãe, tal filha, depois de ouvir Elis Regina cantando "Alô, Alô, Taí Carmen Miranda", que tal ouvir "Heróis da Liberdade" com Maria Rita:
sábado, 25 de julho de 2009
Império Serrano, Carmen Miranda e Elis Regina, arte pura!
As outras Escolas de Samba podem chiar e morrer de inveja, pois quando se fala em Samba de Enredo, se traduz Império Serrano. Não é coisa de torcedor, é simplesmente a realidade histórica do Carnaval Carioca.
Um bom exemplo é o nosso samba de 1972, que nem está entre os nossos melhores de todos os tempos.“Alô, Alô, Taí Carmem Miranda”, samba que levou o Império Serrano ao seu oitavo título do desfile das grandes Escolas de Samba do Rio de Janeiro, uma poesia melódica na maravilhosa voz de Elis Regina.
Curta esta obra de arte musical.
Um bom exemplo é o nosso samba de 1972, que nem está entre os nossos melhores de todos os tempos.“Alô, Alô, Taí Carmem Miranda”, samba que levou o Império Serrano ao seu oitavo título do desfile das grandes Escolas de Samba do Rio de Janeiro, uma poesia melódica na maravilhosa voz de Elis Regina.
Curta esta obra de arte musical.
sábado, 18 de julho de 2009
Mano Décio da Viola - Centenário de nascimento.

Um dos personagens mais importantes dos primeiros anos do Império Serrano e das próprias escolas de samba, compositor que formatou o samba enredo e criou clássicos como "Heróis da liberdade" e "Exaltação à Tiradentes", Mano Décio da Viola completaria um século de vida na terça passada. Parceiro e, por vezes, adversário de Silas de Oliveira - considerado o grande mestre do estilo e de quem, de certa forma e injustamente, viveu à sombra - ele terá obra e vida lembradas na tradicional feijoada da Império Serrano este sábado, em Madureira; em um debate seguido de um show de Jorginho do Império, seu filho, na segunda, dia 20, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e em um CD, gravado pelo próprio Jorginho, a ser lançado ainda este ano.

- O Mano Décio foi quem sistematizou a narrativa do samba enredo, que até então, nos anos 1940, era disperso, não narrativo. Os sambas eram evocativos de temas como o amor, a musa. E ele foi o pioneiro com o "Exaltação a Tiradentes", em 1949 - conta o pesquisador Ricardo Cravo Albin, que conheceu o sambista quando presidia o Museu da Imagem e do Som. - Ele foi fundamental no esboço que fizemos, em 1967, de um futuro Museu do Carnaval. Tinha um lado voltado para a pesquisa, para importância de se preservar a história.
Para ele, que integrará, juntamente com Sergio Cabral, Haroldo Costa e Rachel Valença a mesa do dia 20, na ABI, a obra de Mano Décio merecia um destaque maior.
- Numa reunião para o evento, o (jornalista) Maurício Azedo cantou alguns sambas dele que eu mesmo não lembrava. Coisas que deveria estar em qualquer antologia mas foram esquecidas. Ele e Silas, juntos ou separados,contaram boa parte da história do Brasil.

Décio Antonio Carvalho nasceu em Santo Amaro da Purificacão, mesma cidade de Caetano Veloso, mas com meses foi para a mineira Juiz de Fora e, com um ano, já estava no Rio de Janeiro, no Morro de Santo Antônio, uma escala para o Morro de Mangueira, onde chegaria em 1915. Com 14 anos foi morar em Madureira, onde teve contato com blocos como o Vai Como Pode, a futura Portela, foi inevitável.
Mas pouco depois, fugindo da atenção excessiva do pai, foi morar na casa de parentes, novamente em Mangueira. Quando o cerco paterno apertou, fugiu e passou a viver de bicos, vendendo jornais e cocada no Largo da Carioca, e dormindo na rua. Depois conseguiu abrigo na casa de Manga, fundador do tradicional Recreio de Ramos e irmão de Armando Marçal, um dos professores da primeira escola de samba, a Estácio de Sá.
Sua primeira música, gravada por Almirante nos anos 1930, foi "Vem meu amor", feita sobre a melodia de uma valsa de Richard Strauss. Vendeu muito samba para os cantores da época, como era de praxe, até que voltou para Madureira e conheceu a escola Prazer da Serrinha, embrião da Império Serrano. Compositor de mão cheia, logo ganhou respeito na escola e o apelido. Mano era a alcunha dos mestres das escolas como Elói, da Serrinha, e Rubens e Edgar, da Estácio. O "da Viola" se deveu ao fato de ele tocar bandola na época. Nesta época, em 1955, após uma divergência na Portela, Antônio Caetano, um dos baluartes da azul-e-branco foi à Serrinha, onde tinha parentes, e sugeriu um enredo para o carnaval. Era "Conferência de São Francisco". Mano Décio topou fazer um samba de acordo com o enredo e procurou Silas. No dia do desfile, Alfredo, "dono" do Prazer da Serrinha, disse que a escola sairia com outro samba. A letra que cantava "Estabeleceu a paz universal/ Depois da guerra mundial" não saiu, mas foi o primeiro samba a narrar uma história.
Sua primeira música, gravada por Almirante nos anos 1930, foi "Vem meu amor", feita sobre a melodia de uma valsa de Richard Strauss. Vendeu muito samba para os cantores da época, como era de praxe, até que voltou para Madureira e conheceu a escola Prazer da Serrinha, embrião da Império Serrano. Compositor de mão cheia, logo ganhou respeito na escola e o apelido. Mano era a alcunha dos mestres das escolas como Elói, da Serrinha, e Rubens e Edgar, da Estácio. O "da Viola" se deveu ao fato de ele tocar bandola na época. Nesta época, em 1955, após uma divergência na Portela, Antônio Caetano, um dos baluartes da azul-e-branco foi à Serrinha, onde tinha parentes, e sugeriu um enredo para o carnaval. Era "Conferência de São Francisco". Mano Décio topou fazer um samba de acordo com o enredo e procurou Silas. No dia do desfile, Alfredo, "dono" do Prazer da Serrinha, disse que a escola sairia com outro samba. A letra que cantava "Estabeleceu a paz universal/ Depois da guerra mundial" não saiu, mas foi o primeiro samba a narrar uma história.
- Convivi com o Mano Décio quando cheguei no Império, na década de 60. Ele, Silas e o Jorginho Peçanha, que hoje é muito pouco lembrado, eram as pessoas mais importantes da escola. Silas era imperiano até debaixo d'água, enquanto o Mano Décio era um andarilho, um cidadão do mundo. Por isso, quando brigou no Império foi para a Portela. Quando voltou, procurou o Silas para fazer o que seria o último samba dos dois na escola - conta Rachel Valença. - Mano Décio era doce. Silas ficou como uma unanimidade, mas ele tem sambas maravilhosos feitos com outros parceiros como "Rio dos vice-reis".

Sérgio Cabral conta que o apelido que deu para Paulinho da Viola foi inspirado em Mano Décio.
- Eu tinha fascínio por ele e por aquele apelido. Ele fazia uns almoços ótimos, frequentados por cantores como o Roberto Silva e o Rizadinha, e personagens do Império como o mestre Fuleiro e o Sebastião Molequinho. Ele gravou tarde, mas bastante, quatro discos. Era forte na melodia, mas de vez em quando cometia imagens maravilhosas como: "A minha cruz é do tamanho do abandono que ser você deu".
Haroldo Costa, que dirigiu um show do sambista na Sala Funarte, lembra sua consciência política.
- Ele tinha esse discernimento. É bom lembrar sempre que o Império desfilou com "Heróis da liberdade" dois meses depois de decretado o AI-5.
(Fonte: João Pimentel - Jornal "O Globo")
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